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Informações sobre a amputação.

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Complicações

Segundo Netter (1995), podem surgir múltiplas complicações em consequência de uma amputação.

Por vezes as possibilidades de reabilitação do amputado são condicionadas pela existência de outros factores que podem transformar a amputação simples numa invalidez mais profunda.

Assim, durante a reabilitação de um indivíduo, podemos confrontar-nos com algumas situações que dificultam o processo terapêutico.

Para Friedmann (1994) e Ray (2000), os principais problemas que surgem como consequência da amputação são os seguintes:

Edema

Segundo o mesmo autor o edema após a amputação é uma complicação bastante frequente.

O edema causa uma massa avermelhada e dura, a qual se não for combatida pode progredir e originar um eczema crónico e lesões fungosas e, possivelmente ulceração.

O edema também aumenta a sensibilidade e a dor na extremidade do coto.

De acordo com Figueiredo, L. & Moreira A. (1995), o edema no coto pode ser causado por má adaptação da prótese ou colocação incorrecta da ligadura. Muitas são as formas de combater e controlar o edema, no entanto quanto mais precocemente este for combatido maior probabilidade existe de ser totalmente eliminado.

Contracturas

De acordo com Friedmann (1994) e May (1993), as contracturas nas articulações geralmente ocorrem antes ou imediatamente após a amputação. Esta situação ocorre normalmente devido ao mau posicionamento do coto, o que conduz à sua fixação em determinadas posições. De acordo com o mesmo autor, é extremamente complicado conseguir deambular com a prótese quando se possui qualquer contractura, isto porque, esta situação torna a sua adaptação difícil devendo por isso ser evitáveis.

Dor

Friedemann (1994) considera que a dor pode ocorrer de inúmeras formas. A dor pode ter origem no coto – é designada de dor local.

Ela pode ocorrer como dor referida ao coto. Pode ainda existir a dor fantasma ou dor aparente referida à parte ausente.

Além destas, pode haver dor noutras áreas, as quais poderão interferir com o uso da prótese. A dor local pode ser provocada por um neuroma desprotegido que está a ser pressionado. A dor referida é a maior parte das vezes sentida dentro do coto além da sua extremidade, originando-se num ponto distal. Uma dor na articulação pode estender-se por todo o restante membro.

Sensação fantasma

Ehde (2000), Friedmann (1994) e May (1993), afirmam que a sensação fantasma é uma ocorrência após a amputação de um membro. Esta é quase inevitável nos períodos precoces, e corresponde à sensação no membro ausente, como se de um membro intacto de tratasse. Essa sensação pode encontrar-se acompanhada de um formigueiro não desagradável e ser descrita como uma sensação de peso e dormência. As sensações do membro fantasma são sensações sem dor percebidas com o surgir do membro amputado (Melzack citado por Ehde, 2000). De acordo com um estudo efectuado por Ehde (2000), ¾ dos indivíduos experienciaram sensação do membro fantasma. Na tabela 2 está listado a frequência e duração da sensação fantasma, dor fantasma e dor do membro residual em 4 semanas. Como é possível observar na tabela 71% dessa sensação fantasma foi descrita como uma sensação intermitente. Cinquenta e um por cento descreveram um episódio de sensação fantasma em menos de uma semana. Para a maioria desses com sensações de membro fantasma, a duração do episódio era poucos minutos (56%) ou entre vários minutos a uma hora (26%). Dos 181 participantes, 27% manifestaram uma sensação de formigueiro, 26% sensação de coçar, 18% sensação de pés ou dedos do pé perdidos e 13% sensação de adormecido.

Frequência e duração da sensação de membro fantasma, dor do membro fantasma, e dor do membro residual por 4 semanas:

Sensação fantasma

A sensação geralmente cessa com o uso da prótese. Deve esclarecer ao indivíduo essa presença que não seja encarada como anormal.

Dor fantasma

Ehde (2000) afirma que a dor fantasma é definida como sensação de dor percebida pela falta duma parte do membro amputado, enquanto que a dor de membro residual é percebida na origem da porção residual do membro. Para Friedmann (1994) e May (1993) a dor fantasma pode ser distinguida da sensação fantasma, dor no coto e dor referida. Se a sensação no membro for dolorosa, incómoda e desagradável, com fortes parestesias ela é designada de dor fantasma. A sensação fantasma geralmente ocorre e é esperada, ao passo que a dor fantasma não o é. Partes que foram esmagadas e aquelas na qual a ablação foi retardada são geralmente mais dolorosas do que as que foram removidas imediatamente por condições não dolorosas (Friedmann, 1994). Fisher & Hanspal (1998) afirmam que a dor fantasma é a dor da pré-amputação, por outro lado, de acordo com Parkes citado por Whyte, A.S. & Niven, C.A. (2001), a dor fantasma é uma consequência inevitável da amputação.

A prevalência da dor fantasma em pacientes com amputação adquirida varia entre 49–78% (Kooijman citado por Van der Schans et al, 2002). Uma vez que é reconhecido que a dor fantasma pode ter um impacto considerável no emprego, e interfere com sono e AVD´s (Sherman citado por Van der Schans et al, 2002), é possível afirmar que esta está então relacionada com a qualidade de vida relacionada com a saúde (Van der Schans et al, 2002).

Neuromas

Para Friedmann (1994), a extremidade cortada de qualquer nervo pode tornar-se num neuroma, o qual é geralmente indolor se protegido adequadamente e se em repouso.

Contudo, neuromas expostos a pressão/tracção forte ou a movimento constante do coto podem originar muita dor.

Problemas cutâneos

A pele humana apresenta complexas funções e extraordinárias capacidades para se adaptar às alterações que lhe são exigidas. A pele é um importante regulador da temperatura corporal. De acordo com Friedmann (1994) a amputação de uma parte do organismo irá conduzir a um aumento da transpiração sobre todo o restante corpo. Desta forma, a transpiração no coto também aumenta (tanto pela diminuição da área corporal para dissipar o calor, como também devido ao possível uso de uma prótese, a qual exige um aumento do gasto de energia e consequentemente um aumento da transpiração para dissipar esse aumento de calor) o que poderá conduzir a maceração do coto. Esta maceração predispõe a ocorrência de infecções por bactérias e fungos, bem como lesões por forças externas. A função da pele como órgão sensitivo pode ser igualmente afectada pela transpiração e pela possível utilização da prótese (particularmente o encaixe), uma vez que os órgãos sensitivos se acomodam rapidamente a esta situação e a sensibilidade diminui.

Para o mesmo autor, uma outra complicação cutânea da amputação é a possível ocorrência de ulceração da pele (esta pode ser causada por maceração, pressão excessiva, fricção, concentração de sobrecarga, infecção, hemorragia, edema do coto, demasiado tempo com drenos, etc.) A sustentação de peso no encaixe provoca muitas sobrecargas mecânicas na pele, podendo mesmo conduzir a rompimento dos orifícios glandulares e ao dano capilar. Um encaixe deficientemente ajustado pode causar congestão venosa, a qual pode originar outras consequências. Os problemas resultantes são os seguintes: bolha de ar, hiperqueratoses, folículos pilosos infectados e coto cianosado ou pigmentado. O bloqueio das glândulas sudoríparas (controladas da temperatura) pelo encaixe da prótese, pode causar ruptura dos ductos sudoríparos, os quais se superficiais se desenvolvem pequenas bolhas, se profundos produzem pápulas. A pressão das glândulas sebáceas raramente causa problemas cutâneos, no entanto, nos amputados acima do joelho é frequente ocorrerem quistos nodulares dolorosos na região adutora por compressão da orla de encaixe.

Podem ainda surgir manifestações alérgicas da pele, tais como dermatites de contacto, eczemas, etc., as quais são geralmente causadas pelos materiais utilizados no acabamento do encaixe.

Problemas psicológicos

Friedmann (1994) afirma que devido à agressão maciça no corpo, auto-imagem e estilo de vida do paciente, todo o mecanismo de defesa psíquico está sobrecarregado. O paciente está altamente vulnerável neste momento, no entanto encontra-se acessível a alterações psíquicas. Ainda de acordo com o mesmo autor, um sentimento de culpa e vergonha acompanha toda a amputação, seja congénita ou adquirida. A profundidade e a sequência de reacções variam de indivíduo para indivíduo. Ira e frustração são extremamente comuns. Primariamente a ira é auto-direccionada e posteriormente é direccionada para as pessoas que contribuíram para a perda do membro.

Segundo este mesmo autor, os amputados por traumatismo têm um choque emocional repentino sem preparo prévio, ao passo que os portadores de doença arterial oclusiva crónica ou tumor adaptam-se de forma diferente e encaram melhor a amputação. De uma forma geral todos os amputados vivem com medo de doença ou lesão no membro colateral.

Entre os mecanismos psicológicos de defesa comummente utilizados pelos amputados estão a fuga, a obliteração, a compensação e a substituição, dependendo até certo ponto da sua personalidade antes da amputação.

Infecções

De acordo com Friedmann (1994) os abcessos nos pontos desenvolvem-se mais provavelmente em redor dos fios de algodão ou seda, quando a incisão é saturada sob tensão.

Uma fístula crónica que drena constantemente é geralmente devida a um corpo estranho retido ou a uma sutura não absorvível. A infecção anaeróbia é rara.

Problemas ósseos

Para Friedmann (1994) o tipo mais comum de super crescimento ósseo é o esporão, o qual é devido a retalhos de periósteo retidos no coto aquando da amputação. Geralmente esta situação é indolor, todavia se ocorrer infecção o esporão pode apresentar-se doloroso.

O osso pode sofrer osteoporose tornando-se, desta forma, propenso a fracturas.

Escoliose

Friedmann (1994) afirma que pacientes com comprimento desigual dos membros inferiores podem desenvolver escoliose. Geralmente de uma escoliose funcional que pode ser corrigida.