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Níveis de Amputação

Para Carvalho (2001) e May (1993), o membro residual de amputação é denominado coto.

O coto de amputação, agora considerado como um novo membro, é o responsável pelo controle da prótese durante a posição ortostática e a deambulação.

Para que isso seja possível, ele deve apresentar algumas características, tais como:

Para a padronização da terminologia ortoprotésica foi desenvolvido uma sistema de classificação internacional para a definição dos níveis de amputação:

A descarga de peso, nas amputações transtibiais, independentemente do nível de amputação, deverá ser realizada no tendão rotuliano, entre a borda inferior da rótula e a tuberosidade anterior da tíbia, e nas regiões com tecidos moles localizados nas faces externa, interna e posterior do coto. Nos casos em que não for possível realizar tais pressões, realizaremos apoio nos músculos da coxa ou tuberosidade isquiática. Os cotos transtibiais apresentam uma tendência à deformidade em flexão do joelho tanto maior quanto mais proximal for o nível de amputação.

A amputação transtibial distal apresenta um coto bastante longo, resultando num grande braço de alavanca e bom controlo sobre a prótese. Neste nível podemos encontrar problemas como escoriações e úlceras, o que é muito perigoso em pacientes com problemas vasculares.

A amputação transtibial média é considerada ideal para esse nível. Com um bom almofadamento terminal e bom comprimento de coto, os pacientes não encontram grandes dificuldades na reabilitação. Antigamente, quando não havia pele suficiente para as suturas traumáticas, os cirurgiões costumavam sacrificar o comprimento do coto de amputação, realizando amputações mais proximais. Com as técnicas de revestimento cutâneo, já é possível priorizar o comprimento do coto, realizando cobertura cutânea por meio de retalhos.

Com o objectivo de preservar o joelho, algumas técnicas têm sido adoptadas, tais como amputações bem proximais, excisões da tíbia, flaps mediais e enxertos cutâneos. Assim as principais vantagens deste nível, comparando com um mais proximal são:

Na amputação transtibial proximal, a deformidade em flexão de joelho está quase sempre presente. Nos cotos muito proximais, alguns autores preconizam a ressecção do peróneo com reinserção dos seus ligamentos, melhorando, desse modo, a forma do coto.

Na desarticulação do joelho, preconiza-se a preservação da rótula. Para esse nível, é indicada a descarga distal, proporcionando maior propriocepção ao paciente amputado. Em virtude do comprimento total do fémur, o paciente com desarticulação do joelho apresenta uma boa alavanca de movimento, conseguindo um grande controlo sobre a prótese. Alguns pacientes apresentam um ligeiro grau de deformidade em flexão da anca causado por posturas inadequadas.

Assim, este nível tem várias vantagens em relação à amputação transfemoral:

O coto neste nível de amputação tende a apresentar uma deformidade em flexão e abdução da anca. Verificamos que quanto mais proximal o nível de amputação, maior a tendência à deformidade.

A redução de músculos com função adutora, atrofia muscular e inadequado mecanismo de fixação diminuem as forças dos adutores facilitando o desvio postural e alterando a marcha. Para os pacientes transfemorais, está totalmente contra-indicada a descarga distal. Para isso, os encaixes protéticos são confeccionados de modo que suportem a descarga de peso em apoio isquiático e/ou nas paredes laterais do coto, dependendo do tipo de encaixe utilizado.

Os amputados transfemorais apresentam durante a marcha um gasto energético 65% maior que cidadãos não amputados.

A avaliação do nível da amputação e da qualidade do coto, são de fundamental importância, e destes aspectos depende em grande parte as possibilidades de reabilitação do indivíduo (Lianza, 1982). No entanto a maior parte das amputações situam-se nas regiões acima e abaixo do joelho.

Tabela. Incidência por 100,000 de amputações traumáticas

Níveis de Amputação